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Eu avisei

Eu avisei

A justiça poética clamava pela possibilidade que eu teria de dizer para vocês essas duas palavras: “Eu avisei”.

Durante todo o jogo, com o desempenho abismal do ataque, essas duas palavras ficaram na minha cabeça como um zumbido de mosquito. Enquanto vi Peyton Manning jogar como uma sombra do grande Peyton Manning que dominou a liga por mais de uma década, completando poucos passes, cometendo alguns erros que quase resultaram em interceptações, sempre flertando com o perigo. O jogo corrido, apesar de ter boas jogadas por C.J. Anderson, deixou um pouco a desejar também, repetindo a atuação fraca dos últimos jogos da temporada regular. Enfim, o ataque jogou de maneira bem conservadora, seguindo o plano de jogo que Gary Kubiak implementou durante toda a temporada. Nos últimos dois períodos, estava claro que os Broncos jogavam exclusivamente para administrar a vantagem, com o clássico “medo de perder”.

Mas ao mesmo tempo, a justiça poética decidiu me dar a graça de poder dizer essas duas palavras, mas em outro contexto: o da defesa.

Nas colunas da semana 7 e 8, falei sobre como a defesa do Broncos era uma defesa de time campeão, lembrando a velha máxima do futebol americano: “Offense wins games, defense wins championships”. E essa defesa foi mais do que simplesmente campeã, ela carregou o time nas costas levantando novamente a questão que falei no meio da temporada: “Quem precisa de Peyton Manning?”. Quando Von Miller forçou o primeiro fumble que resultou em touchdown, as duas palavras começaram a ressoar na minha cabeça novamente, mas com um tom de felicidade incomparável. A defesa segurou o MVP da temporada e anulou completamente um ataque que dominou a liga com seu estilo agressivo e direto. Von Miller e DeMarcus Ware jogaram como se aquele fosse o último jogo de suas vidas, chamando a responsabilidade para si e fazendo a diferença quando mais precisavam. Apesar de deixarem algumas jogadas de grandes ganhos acontecerem, a defesa foi muito além da sua obrigação, limitando a produção ofensiva dos Panthers a justamente só essas grandes jogadas. A read-option tão utilizada por Cam Newton durante a temporada também foi ineficaz, e ao forçar o time de Carolina a jogar atrás no placar, os Broncos fizeram com que eles passassem por algo desconhecido, ter que correr atrás do resultado. Uma vez, vi o grande lutador do UFC Jon Jones falar como ele sempre tenta fazer os seus adversários sangrarem, pois muitos grandes lutadores só estão acostumados a ganhar e nunca viram o seu próprio sangue, e como isso os desestabilizava. No jogo de ontem, foi exatamente isso que aconteceu com os Panthers que tiveram que correr atrás do placar contra a melhor defesa da temporada, e logo logo viram que isso não seria nem um pouco fácil. O segundo fumble que Von Miller forçou, colocou o prego final no caixão dos Panthers e coroou não só o seu status como MVP do jogo, como também a temporada de uma das maiores defesas da última década, intimidadora como a dos Seahawks de 2013, ágil como a dos Steelers de 2010 e inteligente como a dos Patriots da década de 2000.

Os deuses do futebol americano sorriram uma última vez para Peyton Manning, dando um (altamente provável) final de carreira para aquele que não merecia nada diferente. Tenho noção que condenei o final de carreira dele na semana 5, mas por mais que ele não tenha produzido quase nada, sendo quase um Alex Smith, ainda assim, não pude ficar mais feliz ao ver aquele que sempre lutou com tanta garra, sair no topo.

Por fim, é com orgulho que posso dizer essas duas palavras: Eu avisei. Avisei que essa defesa carregaria o time, avisei que essa era a marca de um campeão, avisei que esse time não precisava de Peyton Manning. E agora, depois de 16 anos acompanhando o time, o grito que estava entalado na garganta finalmente pode sair e a plenos pulmões ser espalhado aos quatro ventos: O DENVER BRONCOS É CAMPEÃO DO SUPER BOWL 50.

Três chaves para a vitória: Denver Broncos X Pittsburgh Steelers

Três chaves para a vitória: Denver Broncos X Pittsburgh Steelers

No duelo divisional de hoje da AFC, o Denver Broncos tentará a vitória para receber o Campeonato da AFC contra o New England Patriots. Mas antes, precisará passar pelo desafio do Pittsburgh Steelers, e aqui estão três chaves para Denver vencer a batalha.

1 – Estabilidade de Quarterback
Sabemos que Manning começará o jogo contra os Steelers, mas dado o seu histórico de instabilidade durante a temporada, não sabemos se ele terminará a partida. O fato de Osweiler ter apresentado um bom desempenho durante o período em que Manning esteve machucado, levanta a possibilidade de ocorrer uma troca durante o jogo. Independente de quem terminar, o que importa é que haja estabilidade e confiança na posição.

2 – Defesa contra o jogo aéreo
Nesta temporada, apenas um quarterback adversário conseguiu lançar para mais 300 jardas contra a brilhante defesa dos Broncos, isso mesmo, Ben Roethlisberger. Antonio Brown fará falta, mas ainda há muitas armas que podem ser exploradas. Os Broncos não poderão deixar que esse fato se repita se quiserem enfrentar Tom Brady na próxima semana.

3 – Michael Scofield
Quem? Michael Scofield é o right tackle dos Broncos que tem sido destruído pelas defesas adversárias. É fato que a linha ofensiva não está muito bem, o time já está no terceiro left tackle diferente, desde que a temporada começou, mas o desempenho de Scofield tem sido decepcionante. Lembra dos cinco sacks que Khalil Mack dos Raiders conseguiu quando enfrentou os Broncos? Pois é, quatro foram em cima de Scofield. Foi assim contra os Bengals de Carlos Dunlap e os Chiefs de Justin Houston, que fizeram a festa contra o right tackle dos Broncos. Por isso, é necessário que Scofield consiga defender as investidas da defesa dos Steelers, ou que pelo menos exista algum tipo de ajuda.

 

De volta para o passado

De volta para o passado

Sim, eu sei que meu último post foi há três semanas. Peço desculpas, mas não tinha coragem de escrever nada enquanto não visse o que o garoto (sim, eu vou chamá-lo de garoto porque ele é dois anos mais novo que eu) Brock Osweiler fosse capaz de fazer. Vamos aos fatos, Osweiler já foi titular em três vitórias, tem menos interceptações que Manning e está fazendo um ótimo trabalho para gerenciar o ataque de Gary Kubiak.

Nossa primeira volta para o passado será para o final da década de 90 e início da década de 2000. Naquela época, os quarterbacks estrelas novatos quase não existiam. Quando muito, eram os caras selecionados com a primeira escolha do draft, e mesmo assim, eram raros. Estamos falando de Peyton Manning, Ryan Leaf, Michael Vick, Carson Palmer, Philip Rivers, Eli Manning, Tim Couch e afins. Os demais eram forçados a ficar na reserva por uns dois ou três anos, aprendendo com os mais experientes, entendendo como funciona o jogo e a diferença que existe entre o nível universitário e o profissional. Foi assim com Tom Brady, Tony Romo, Aaron Rodgers e outros que descobriram o valor que o banco de reservas possui. O único problema é que as primeiras escolhas no draft ficaram cada vez mais caras, e os times não queriam mais deixar 30 milhões de dólares parados na reserva durante dois anos. Com isso, e também devido ao fato de o jogo profissional se assemelhar cada vez mais ao jogo universitário, os times passaram a colocar os quarterbacks inexperientes como titulares logo no primeiro ano, o que gerou algumas experiências desagradáveis, a começar pelo maior bust de todos os tempos, JaMarcus Russell (sim, maior até do que Ryan Leaf). Voltando ao presente, vemos isso acontecer com Brock Osweiler. Draftado em 2012, Osweiler ficou longos três anos assistindo e aprendendo com um dos maiores de todos os tempos, e quando sua chance chegou, ainda não decepcionou. Três jogos e três vitórias cheias de confiança.

Paramos aqui para fazermos nossa segunda volta para o passado. A minha primeira grande memória de vitória do futebol americano foi em janeiro de 2006. Já acompanhava o esporte há uns cinco anos e nunca tinha visto os Broncos com condições reais de vitória. Na temporada de 2005, o time teve uma excelente temporada, liderados no ataque por um jogo corrido sólido com Mike Anderson e Tatum Bell, uma offensive line perfeita com os ícones Matt Lepsis e Tom Nalen, Jake Plummer no auge de sua carreira, e uma defesa matadora com o trio de linebackers Al Wilson, D.J. Williams e Ian Gold, e o lendário Champ Bailey liderando uma secundária que também contava com o grande John Lynch. Com 13 vitórias e 3 derrotas, o time conseguiu a segunda posição na AFC e enfrentou o todo poderoso New England Patriots de Belichick e Brady. Até aquele jogo, os dois ainda não haviam perdido nos playoffs, 10 vitórias, nenhuma derrota e três títulos de Super Bowl. Com um plano de jogo incrível montado por Mike Shanahan, a defesa neutralizou Tom Brady interceptando-o duas vezes e o jogo corrido venceu a grande defesa de Belichick. O coordenador ofensivo daquele time? Isso mesmo, Gary Kubiak.

Agora no presente. Por que é tão importante dar essas voltas ao passado? Simples. Gary Kubiak foi o coordenador ofensivo de Mike Shanahan por muitos anos, logo, o seu estilo de ataque é uma cópia fiel ao estilo do seu mentor. Shanahan por sua vez, foi assistente de George Seifert nos 49ers, logo após a era Bill Walsh, fazendo com que o seu estilo, fosse derivado direto da West Coast Offense de Walsh. Em vez de usar e abusar das rotas curtas dos wide receivers, como Walsh fazia, Shanahan passou a usar um esquema tático que confiava muito no jogo corrido para atrair a atenção da defesa e depois usar os play actions no jogo de passe, aproveitando uma defesa focada em defender o jogo corrido. O método que Shanahan usava para fazer esse ataque funcionar era uma offensive line leve (cada jogador com menos de 300 lbs.) executando o esquema de bloqueio por zona. O bloqueio por zona tira a responsabilidade individual de cada offensive lineman de bloquear um defensor e faz com que a linha atue como um conjunto. Para saber quando a corrida está sendo atrás de uma linha bloqueando por zona, é só olhar para a offensive line logo após o snap – se todos eles correram para o mesmo lado juntos em bloco, é um bloqueio por zona; se cada um pegar um defensor para bloquear, é um bloqueio tradicional. Esse ataque trouxe grande sucesso aos Broncos que conseguiram em cinco anos ter quatro running backs diferentes com mais de 1.000 jardas corridas.

Kubiak, por sua vez, levou esse plano de jogo consigo quando foi o técnico dos Texans (veja o sucesso que Arian Foster teve naquele time), e consequentemente o trouxe aos Broncos também, mas esbarrou com o exato oposto do seu plano quando deu de cara com o maior pocket passer dos últimos tempos, Peyton Manning. Já falei aqui sobre como o estilo de jogo dos dois é diferente, e isso ficou mais do que óbvio quando Osweiler assumiu a posição de quarterback. Os shotguns e no huddles de Manning foram substituídos por snaps under center e play actions. Veja como C.J. Anderson e Ronnie Hillman ficaram muito mais livres para correr, resultando em um jogo corrido mais fluido, liberando Osweiler para ser um game manager e se adaptar aos poucos à rapidez do jogo de verdade. Foi assim que o time venceu os Bears, jogando um estilo de jogo que já dominou a liga nos anos 90 (sempre lembrando o “Greatest Show on Turf” do St. Louis Rams), foi assim que o time gerenciou a partida contra os Chargers, enquanto a defesa fazia a sua parte. E principalmente, foi assim que os Broncos acabaram com a invencibilidade dos Patriots, fazendo um jogo seguro e sem turnovers, capitalizando nos erros do adversário e segurando a barra na defesa quando foi necessário.

Por isso, assistir a esses Broncos de Kubiak e Osweiler é quase como assistir aqueles Broncos de 2006, que derrotavam gigantes, faziam chover com o jogo corrido no bloqueio por zona, e tinham uma defesa que dava conta do recado. Além disso, Osweiler teve todo o longo processo de aprendizado que os quarterbacks de hoje não possuem mais, fazendo com que sua transição ao jogo seja tranquila e que ele não precise tomar decisões precipitadas, devido a um sólido jogo corrido e um uso consciente dos play actions.

O próximo passo será dado quando Manning melhorar da sua contusão no pé, mas isso é assunto para semana que vem.

O vinho e o vinagre

O vinho e o vinagre

Existe uma velha máxima que diz que vinho bom é vinho velho. Ao pesquisar sobre o tema, descobri que isso é uma grande inverdade, pois para envelhecer bem um vinho precisa ter uma estrutura robusta, isto é, uma combinação perfeita de seus elementos base para que nem um, nem outro desses elementos se estrague com o tempo. E mais, grandes enólogos dizem que apenas 10% dos vinhos fabricados hoje em dia possuem essa combinação rara. Caso o vinho não possua esses pré-requisitos, dentro de alguns anos (ou até mesmo meses) ele vai começar a perder o seu sabor e por fim tornar-se-á um vinagre intragável.

Acredito que esse processo pode ser comparado aos quarterbacks na NFL. Neste ano de 2015, 14 dos 32 quarterbacks que iniciaram a temporada possuem 30 anos ou mais (44%) e apenas quatro (11%) possuem mais de 35 anos; são eles: Josh McCown (36, Cleveland Browns), Drew Brees (36, New Orleans Saints), Tom Brady (38, New England Patriots) e Peyton Manning (39, Denver Broncos). Tirando McCown que foi reserva por quase toda a carreira (o motivo pelo qual ele durou até hoje), os outros três são grandes nomes na história do esporte, com um busto de bronze garantido em Canton. Isso mostra a grande dificuldade que existe em, não só encontrar um grande QB para o momento atual, como também um que seja capaz de envelhecer e se manter com um alto nível de produção em uma liga que está sempre mudando seus paradigmas. Assim como um vinho, é necessário que um quarterback tenha uma combinação rara de pré-requisitos, caso contrário não terá uma carreira muito duradoura na liga. Esses três nomes que destaquei da lista acima são os melhores exemplos, e ainda existem outros que também podem chegar ao mesmo patamar deles, como Aaron Rodgers e Carson Palmer. Porém, assim como o vinho, esses QBs também precisam saber a hora de parar, para que suas grandes carreiras não sejam transformadas em memórias dolorosas e manchas irretocáveis.

O que nos traz a semana 10 da temporada de 2015 da NFL e o momento em que Peyton Manning foi para o banco, em favor de Brock Osweiler. O jogo não estava bonito, Peyton já havia somado quatro interceptações e estávamos apenas no meio do terceiro quarto ainda, ou seja, havia tempo de alcançar o recorde de maior número de interceptações em um jogo (7). Gary Kubiak percebeu que se não fizesse algo rápido, poderia estragar mais ainda o dia em que o seu quarterback rompeu a marca de Brett Favre de maior número de jardas de passe na história. Na minha coluna da semana de bye dos Broncos, falei sobre como o fim de carreira de Peyton estava próximo, e ressuscitei a questão que muitos achavam que ele deveria ter se aposentado quando se machucou da primeira vez, ficando fora da temporada de 2011.

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não é estranho?

Na história recente, temos diversos exemplos mostrando todos os lados. Brett Favre teve uma carreira histórica no Green Bay Packers e após se aposentar e se desaposentar duas vezes, jogou dois anos pelo New York Jets e dois anos pelo Minnesota Vikings; desses quatro, em apenas um Favre se destacou, quando levou os Vikings para a final da NFC de 2010 quando perderam para os campeões New Orleans Saints; mas mesmo assim, toda essa brincadeira da aposentadoria colocou uma pequena marca em sua carreira impecável. Joe Montana ainda tentou jogar dois anos pelo Kansas City Chiefs depois de ter passado dois anos machucado e ser substituído por Steve Young, mas também só conseguiu levar os Chiefs a uma final de AFC. Troy Aikman e Dan Marino se aposentaram por causa de seus corpos não aguentarem mais outra temporada, evitando ficar mais um ano e sofrerem alguma contusão séria. O único que conseguiu sair no topo foi John Elway, que se aposentou depois de vencer os dois únicos Super Bowls de sua carreira, sendo inclusive o MVP do Super Bowl XXIII, o último que disputou.

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Veja bem, os Broncos de 2012 em diante realmente foram um time vencedor, e Peyton fez com que eles tivessem uma chance legítima de vencer o Super Bowl nos seus dois primeiros anos como quarterback do time. Em 2013, ele teve a melhor temporada estatística de um quarterback na história, quebrando vários recordes e levando o time ao Super Bowl. Mas hoje podemos ver que aquele ano foi o seu auge e o seu limite. Qualquer vinho possui o seu momento ideal, aquele em que a combinação das estruturas base está tão boa que ele está na sua melhor forma, e logo após ele começa a perder esse momento e caminhar para o vinagre. A temporada de 2013 foi o melhor momento de Peyton Manning como um profisional, mas em 2014 ele começou a mostrar que não era mais o mesmo, e esse ano começamos a provar o vinagre que se tornou o seu jogo. O cérebro de Peyton Manning (de longe, seu maior atributo) continua intacto, ele continua fazendo as mesmas leituras, com o mesmo entendimento do jogo e consegue enxergar o que a defesa adversária está fazendo. Mas a parte física não está mais lá; além de estar constantemente machucado, os passes estão chegando um segundo antes ou depois, as bolas altas estão indo um metro a frente ou atrás e como Al Pacino ensinou em “Um Domingo Qualquer” (se você ainda não assistiu esse filme, termine a coluna e vá assisti-lo agora), “Football is a game of inches” (O futebol americano é um jogo de polegadas). Não sabemos ainda qual será o fim da carreira de Manning. Para o próximo jogo, Osweiler será o titular e Manning estará fora para cuidados médicos. Caso tudo permaneça como está, ficará a lição para Brady e Brees, de saberem avaliar suas carreiras, antes que virem vinagre.

A marca de um campeão

A marca de um campeão

Semana passada, falei sobre como essa defesa dos Broncos busca uma identidade, algo que a defina como uma das maiores da história. Esse discurso foi motivado pela decisiva vitória que o time teve sobre o Green Bay Packers de Aaron Rodgers, invicto até então. Só que nessa semana, o time perdeu para os Colts que ainda não encontraram seu ritmo de jogo. No ataque, Peyton Manning foi incerto, por vezes atingindo grandes passes, e em outras errando as rotas mais básicas, terminando o jogo com 2 touchdowns e 2 interceptações. O jogo corrido também não contribuiu, mostrando que para Denver produzir no ataque, é necessário que exista uma produção terrestre constante, assim como foi contra os Packers. A defesa também enfrentou dificuldades, devido a uma linha ofensiva muito bem estruturada e que estava conseguindo distribuir bem as tarefas entre cada uma de suas partes para proteger o pocket de Andrew Luck. Com isso, o jogo de pressão tão utilizado pelos Broncos nessa temporada não foi tão efetivo, abrindo espaço para o jogo corrido de Indianapolis se desenvolver, juntamente com as rotas curtas de crossing, retirando a vantagem que a secundária dos Broncos possuía sobre os adversários até então. O grande problema é que isso começou a afetar a parte mental dos jogadores da defesa dos Broncos, resultando em penalidades bobas que ajudaram e muito os Colts a conseguirem a liderança no primeiro quarto. Daí em diante, pudemos ver o quanto essa defesa não está acostumada a jogar estando atrás no placar. Ficaram sem ritmo de jogo, sem respostas para as novas estratégias que estavam vendo e por fim, sucumbiram a diversas penalidades de unnecessary roughness e o lastimável incidente com Aqib Talib (para quem ainda não viu, segue o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=bpbSRwYYCos).

Quando falei semana passada sobre a identidade da defesa escolhi não falar sobre algo que também é importante e necessário para um time que quer chegar ao Super Bowl: a marca de um campeão. A marca de um campeão é aquela sensação que você tem quando está assistindo um time e vê que eles possuem algo a mais, um propósito, algo que os impulsiona e os faz querer vencer cada mínimo lance em cada jogada em cada momento de cada jogo. Como eles deixam pra trás todas as distrações e estão focados em um único objetivo, que é vencer aquele jogo. Um time que sempre me vem a mente quando penso nessa característica da marca de um campeão, são os Giants que venceram o Super Bowl XLII e XLVI. Nas duas ocasiões, eles tiveram temporadas difíceis e playoffs em que não foram considerados como favoritos, além de serem campeões em cima do poderoso New England Patriots, inclusive impedindo a segunda temporada invicta da história. No jogo contra os Colts, a defesa do Denver Broncos mostrou que está longe de ter essa marca. Os verdadeiros campeões não são aqueles que vencem todos os jogos da temporada (o próprio Patriots de 2007 chegou ao Super Bowl invicto e perdeu para os Giants), mas sim, os que na hora em que é necessário manter a concentração e não cometer erros bobos, o fazem sem maiores dificuldades. Se não houver essa força mental em um jogo de temporada regular, fora de casa, contra um time que só havia vencido três jogos, imagine no final de janeiro do ano que vem, na noite gélida de Foxborough?

Como ser um vencedor

Como ser um vencedor

Semana passada falei sobre a defesa devastadora do Broncos como o motivo pelo qual o time está invicto nesta temporada. Aí, na semana 8 da temporada de 2015, essa mesma defesa limitou Aaron Rodgers a apenas 77 jardas. Veja bem, não estamos falando de Blake Bortles, Tyrod Taylor ou Teddy Bridgewater, estamos falando de Aaron Rodgers, MVP de 2011 e do ANO PASSADO, um dos melhores quarterbacks da atualidade em um dos melhores times da atualidade em termos ofensivos. Isso me fez pensar no que essa defesa tem de tão espetacular para conseguir um resultado tão expressivo.

A resposta apareceu em dois eventos separados essa semana, envolvendo os Broncos e possíveis troca

Em primeiro lugar, houve a troca com o San Francisco 49ers, mandando duas escolhas de sexta rodada no draft (2016 e 2017), em troca do TE Vernon Davis e mais uma escolha de sétima rodada de 2016. É uma troca bem sensata, afinal Davis é um TE de muito potencial que pode contribuir imediatamente com o time e com Peyton Manning (que resolveu dar as caras nesse domingo), porém com idade avançada e sem ter aquela capacidade física que vimos no seu auge no 49ers.

O outro fato são os rumores de uma possível troca com os Browns para a aquisição do LT Joe Thomas, terceira escolha geral do draft de 2007 e um dos melhores na sua posição. Nessa possível troca, os Broncos resolveriam seu problema de LT, pois o titular Ryan Clady se machucou na pré-temporada e o reserva Ty Sambrallio também está fora devido a uma lesão no ombro que precisará de cirurgia. O problema é que os Browns queriam mais do que uma escolha de primeira rodada, uns dizem que eles queriam uma terceira e outros que estavam interessados no LB Shaquil Barrett que vem fazendo uma ótima temporada. E é nessa troca que não deu certo que está o verdadeiro segredo para o sucesso dos Broncos nos últimos anos.

Ao analisar a troca no ponto de vista atual, Joe Thomas traria uma estabilidade instantânea a uma linha ofensiva que anda bem instável, porém uma escolha de primeira e outra de terceira rodada significam dois jogadores que podem contribuir para o time no futuro, tendo em vista que na próxima temporada os problemas de LT supostamente estarão resolvidos. Com isso John Elway mostra a marca que tem sido a sua administração nos Broncos, gastar de maneira consciente, quando necessário, sem sacrificar o futuro do time.

Quando assumiu o time em 2011, Elway pegou os restos de uma tragédia deixada por Josh McDaniels, mais um QB titular que não sabia lançar um passe (Tim Tebow) e uma defesa que tinha apenas Von Miller (recém draftado) e Champ Bailey como jogadores chave. Ao adquirir Peyton Manning em 2012, Elway resolveu o problema de QB por alguns anos, o que permitiu que ele concentrasse todos os seus esforços em construir uma defesa que tivesse ao mesmo tempo uma grande eficiência e uma identidade, algo que diferencia as grandes defesas, daquelas que são campeãs e entram pra história.

Pouco a pouco, Elway foi construindo essa defesa através de escolhas no draft e aquisições chave na free agency, como DeMarcus Ware, Aqib Talib e T.J. Ward. A pergunta no título deste artigo é respondida aqui nesse parágrafo, pois os grandes times campeões não são construídos através da free agency; esse recurso deve ser usado para preencher posições que ainda faltam, enquanto que o time deve ser resultado de boas escolhas no draft e aquisição de jogadores no usando a estratégia de baixo investimento e alto retorno. Essa receita foi utilizada pelos grandes times das últimas décadas, os Patriots da década de 2000, os Packers de 2011 e o Seahawks de 2013.

Além disso, o fato de Elway ter sido quarterback na liga durante 16 anos (e um dos melhores de todos os tempos) faz com que ele tenha um entendimento de como construir uma defesa justamente porque ele escolhe aquilo que não gostava de enfrentar, que é uma boa secundária que consegue jogar homem a homem, liberando o front seven para aplicar pressão no quarterback adversário.

Por isso, após uma grande vitória na última semana, os Broncos mostraram a que vieram esse ano: uma defesa capaz de carregar o time até o Super Bowl e um ataque comandado por um quarterback que na hora que começar a jogar de verdade, fará com que esse seja o melhor time da liga.

Quem precisa de Peyton Manning?

Quem precisa de Peyton Manning?

Nesse ano de 2015, a defesa dos Broncos carregou o time em seis jogos resultando em seis vitórias e nenhuma derrota. Isso é uma surpresa, pois desde a contratação de Peyton Manning para a temporada de 2012, não se fala em outra coisa em Denver que não seja todo o potencial ofensivo que vem junto com um dos melhores quarterbacks de todos os tempos. De fato, o desempenho do time entre 2012 e 2014 foi impressionante, com o time quebrando recordes na temporada de 2013 e Manning conquistando mais um prêmio de MVP nesta mesma temporada.

Mas há uma frase que é tão antiga quanto o próprio futebol americano: “Offense wins games, defense wins championships”, traduzindo “O ataque vence jogos, a defesa vence campeonatos”.

Para ilustrar essa frase, pego dois exemplos que envolvem o próprio Denver Broncos.

Nos playoffs da temporada 2012-2013, o time perdeu seu primeiro jogo para o Baltimore Ravens de Joe Flacco e a jogada definitiva foi um passe para touchdown de 70 jardas faltando um minuto para o fim do jogo onde houve uma clara falha do Safety Rahim Moore dos Broncos. Esse mesmo time dos Ravens venceu os Patriots de Tom Brady e os 49ers de Colin Kaepernick para se tornarem campeões no Super Bowl XLVII. Mas o fator diferencial desse time foi a defesa ancorada por um Ray Lewis que estava em sua última temporada derrotando todos esses adversários de grande potencial ofensivo.

No ano seguinte, os Broncos tiveram a melhor temporada ofensiva na história do esporte com 76 touchdowns (sendo 55 de passe) e mais de 7.000 jardas totais (apenas dois outros times na história do esporte igualaram tal marca), esse desempenho carregou o time até o Super Bowl XLVIII contra o Seattle Seahawks e 90% dos analistas colocavam os Broncos como favoritos. Mesmo sendo torcedor de coração do time, quando muitos amigos vieram me perguntar sobre o que eu achava do jogo, dizia que estava com esperanças do título, mas ao mesmo tempo lembrava a todos da frase acima. A defesa dos Seahawks desintegrou Peyton Manning e o restante do ataque, resultando em um sonoro 43-8 que até hoje ressoa nos ouvidos dos torcedores alaranjados.

Mas aí o leitor está se perguntando: o que tudo isso tem a ver com a grande defesa que o time possui nessa temporada de 2015 e o atrevido título dessa coluna?

Através dessas dolorosas derrotas, em 2014 a administração resolveu não poupar gastos para reforçar a defesa do time, contratando grandes nomes como DeMarcus Ware (defensive lineman dos Cowboys), Aqib Talib (cornerback dos Patriots) e T.J. Ward (safety dos Browns). Porém, nem assim o time conseguiu o tão sonhado Super Bowl, sendo eliminado nos playoffs pelos Colts de Andrew Luck.

O vice-presidente de operações de futebol americano (equivalente a General Manager) dos Broncos, ninguém menos que o grande John Elway, percebeu que o problema não estava no elenco do time e sim, em quem estava no comando. John Fox foi um grande técnico para o time, levando os Broncos aos playoffs desde 2011, inclusive vencendo os playoffs de divisão naquele ano contra os Steelers tendo Tim Tebow como quarterback (só essa proeza vale mais do que a presença em dois Super Bowls que Fox conseguiu em sua carreira), mas faltava aquele ingrediente para separar os Broncos de um time muito bom para um time campeão. Sendo assim, Elway tomou a difícil decisão de romper com Fox e sua comissão técnica inteira e contratar Gary Kubiak para a função de técnico principal. Kubiak foi reserva de Elway durante as décadas de 80-90,além de ter sido coordenador ofensivo nos dois anos em que os Broncos venceram o Super Bowl e durante boa parte da carreira de Mike Shanahan como técnico principal.

Aí sim começamos a história da defesa de 2015, pois Kubiak trouxe consigo um estilo ofensivo conservador, que gosta de correr com a bola e usar e abusar dos play actions e snaps under center, um estilo que não combina muito com o fast-tempo no huddle de Manning. A defesa por sua vez ficou a cargo de Wade Phillips que já foi técnico dos Cowboys e era coordenador defensivo dos Texans enquanto Kubiak era técnico principal. Phillips por sinal foi um dos responsáveis por transformar DeMarcus Ware e J.J. Watt em verdadeiros monstros do futebol americano.

Phillips mudou a defesa completamente ao substituir o esquema tático 4-3 que era usado por Jack Del Rio pelo 3-4 que é o seu estilo pessoal. Essa mudança aumentou a eficiência da defesa devido ao fato que liberou DeMarcus Ware para jogar como outside linebacker e pass rusher, enquanto que na 4-3 ele fazia o papel de pass rusher, mas era mais limitado por ser forçado a jogar com as mãos no chão como defensive end.

Além disso, no lado oposto de Ware encontramos Von Miller, segunda escolha geral no draft de 2011 e pass rusher por natureza. Na defesa 3-4, esses dois jogadores são livres para tentar entrar no backfield adversário, pois a pressão na linha ofensiva adversária é feita pelos 3 jogadores da linha defensiva (que conta com os ótimos Derek Wolfe e Sylvester Williams) e mais um inside linebacker (também com os ótimos Brandon Marshall e Danny Trevathan). Essa pressão está sendo suficiente para deixar os quarterbacks adversários fora de ritmo, resultando em 26 sacks em apenas 6 jogos (média de 4,3 por jogo). A falta de ritmo dos quarterbacks força-os a lançar passes apressados e nem sempre muito precisos, indo de encontro a uma secundária impecável que possui os destaques Talib, Ward e Chris Harris Jr., resultando em 9 interceptações nesses mesmos 6 jogos, sendo 3 retornados para touchdown (conhecido como pick six).

Quando juntamos todos esses ingredientes no caldeirão, temos uma defesa ágil, forte, inteligente e absolutamente implacável com os seus adversários. Essa defesa é o único motivo pelo qual o time está invicto, com 6 vitórias e nenhuma derrota, já que Peyton Manning está irreconhecível (como falei na coluna da semana passada) e o restante do ataque faz o suficiente para não perder os jogos.

Essa semana, o time terá o seu maior teste, enfrentando Aaron Rodgers e o poderoso ataque do Green Bay Packers, que também está invicto. Independente do resultado, o time ainda é o favorito para ganhar a divisão oeste da AFC e chegar aos playoffs.

Resta saber se a antiga frase que apontei no começo do texto será válida para esses Broncos de 2015, que apesar de terem um dos melhores quarterbacks de todos os tempos, é a defesa que está carregando o time, levantando assim a pergunta: Quem precisa de Peyton Manning, quando se tem uma defesa como essa?

Bye Bye Manning, Manning Bye Bye

Bye Bye Manning, Manning Bye Bye

Tentei resumir a semana e a temporada dos Broncos em uma frase. Nessa semana 7, os Broncos estão em bye, invictos com seis vitórias e nenhuma derrota e com o quarterback Peyton Manning sendo o líder em interceptações na temporada. Não, você não leu errado. Entrando na semana 7, Peyton Manning possui mais interceptações (10) do que qualquer outro quarterback na liga.

Vou dar alguns segundos para você processar essa informação…

Pois é, o fato de os Broncos estarem invictos nem é tão surpreendente como o fato daquele que é considerado um dos melhores de todos os tempos ser o líder em interceptações.

O time vai bem obrigado, e encontrando formas de vencer cada jogo, sendo carregado principalmente pela forte defesa. Falarei mais sobre como essa defesa mudou o time na semana que vem, porque o mais importante dessa semana é o atual estágio de Peyton Manning.

Sim, precisamos conversar sobre Peyton Manning, mas antes de termos essa conversa, temos que voltar o relógio para o ano de 2011, no qual Manning foi forçado a ficar de fora durante a temporada por causa de uma lesão no pescoço. Até aquele ano, ele teve uma carreira brilhante de 13 anos com o Indianapolis Colts: venceu um Super Bowl, foi eleito MVP quatro vezes e criou sua reputação como um dos melhores de todos os tempos. Porém, sem Manning, os Colts terminaram a temporada em último lugar e selecionaram Andrew Luck com a primeira escolha do Draft do ano seguinte. Como não havia espaço para duas estrelas no mesmo time, além de ninguém saber qual era o status real da saúde de Manning, os Colts deram um boa noite e boa sorte para sua maior estrela e mostraram como esse jogo às vezes é só um negócio.

Os Broncos por sua vez, tinham acabado de sair da era Tim Tebow e precisavam urgentemente de um quarterback que soubesse lançar um passe. Manning viu nos Broncos a melhor oportunidade possível de conseguir vencer mais um Super Bowl, com uma comissão técnica bem formada, liderada pelo veterano John Fox e uma administração sensata e que sabe o que é futebol americano, liderada por ninguém menos que John Elway.

E nos Broncos Manning continuou sua história de grandeza, construiu um ataque fulminante e fez com que os Broncos chegassem ao Super Bowl em 2013 em uma temporada na qual quebraram todos os recordes de ataque, além de ser eleito MVP naquele ano. E foi dizimado pela defesa dos Seahawks.

Desde esse jogo, tenho a impressão que Manning nunca mais foi o mesmo. Na temporada de 2014 ele continuou fazendo um bom trabalho, mas faltava aquilo que o diferenciava dos demais. Os Broncos foram eliminados nos playoffs pelos Colts de Andrew Luck (doce ironia né?) e isso fez com que John Elway mudasse toda a comissão técnica.

Neste ano, Manning parece estar completamente perdido. Uma nova comissão técnica, um novo plano de jogo, e um quarterback de 39 anos de idade que não deve estar com muita vontade de recomeçar todo o processo de adaptação a uma nova realidade. O resultado disso são as 10 interceptações e apenas 7 passes para touchdown. Além disso, Peyton não tem mais o mesmo ritmo, os passes estão imprecisos e ele nem está gritando OMAHA mais…

O título dessa minha primeira coluna foi uma tentativa de juntar a semana de folga dos Broncos e a atual situação de Manning, fazendo ao mesmo tempo uma referência à música Dezesseis da Legião Urbana. Não foi só uma piada infame, mas sim um convite à reflexão sobre essa volta que deveria ser triunfante, mas não foi. Sim, ele quebrou mais recordes e anotou seu nome nos livros de história, mas ao mesmo tempo, foi humilhado em um Super Bowl, foi eliminado dos playoffs em duas oportunidades diferentes e perdeu o posto de maior de nossa época para Tom Brady quando este conquistou seu quarto Super Bowl, enquanto Manning continua com apenas uma vitória e duas derrotas.

Será que Manning não deveria ter se aposentado em 2012, logo após a cirurgia? Foi um imenso prazer, como torcedor dos Broncos, vê-lo jogar nesses três últimos anos, mas em termos de legado, esses quatro anos deixarão uma marca em sua até então impecável carreira. Tenho noção que estamos falando de um dos melhores de todos os tempos, ou seja, ele pode retornar a sua forma antiga a qualquer momento e vencer mais um Super Bowl.

Mas ao mesmo tempo, os sinais mostram que essa deve ser a última temporada de Manning na liga, e, assim como João Roberto era o maioral, nosso Peyton também era um cara legal. Mas naquela noite fria em Nova York, seu coração se partiu e tudo indica que, ao final da temporada, após mais uma eliminação nos playoffs, estaremos assistindo a sua conferência de imprensa anunciando a aposentadoria, cantando baixinho Strawberry Fields Forever e dizendo:

Bye,
Bye bye Manning
Manning bye bye

 

Entre Jardas | Futebol Americano BR - 2014