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Na estrada

Na estrada

Como já diria o Cidade Negra “Você não sabe o quanto caminhei pra chegar até aqui“. É um pouco de como esse Sunday Night Football chegou na minha vida!!

Comecei a acompanhar o futebol americano em 2009, me lembro que foi em um domingo qualquer, já farto das mesmices do nosso futebol, decidi zapear pela TV e achei o Ivan Zimmerman narrando um jogo entre o Oakland Raiders e um time que não me lembro (me perdoem a falta de memória). Num primeiro momento os gritos de “Calipso”, “Fogo na bomba” e o “Touch me baby” foi o que mais me chamaram a atenção, mas pude perceber em um ou dois finais de semana que naquele jogo havia muito do que eu prezava nos esportes: o mentalismo do jogo, estratégia, imprevisibilidade e a possibilidade de envolver atletas de vários biotipos, não teve jeito, me encantei.

Nessa fase, narradores como o já citado Ivan, o Silvio Santos Jr., Paulo Mancha, Romulo Mendonça, Everaldo Marques e Paulo Antunes (esses dois últimos com maior relevância) fizeram o que  fazem até hoje com maestria: cativam e explicam o jogo para todo e qualquer fã que esteja começando!! Aí os fumbles, safeties, neutral zone infractions, illegal shifts foram fazendo mais sentido a cada dia.

Naquele mesma temporada só que em 2010 assisti meu primeiro Super Bowl e por um motivo que não consigo até hoje explicar (pois até ali não tinha escolhido um time para torcer), torci para os New Orleans Saints contra o Indianapolis Colts. Como foi bacana (na época) ver aquele on side kick na volta do intervalo e a interceptação do Tracy Porter no passe do Peyton Manning (que o Everaldo eternizou como “um retorno para a história”) que decidiu o jogo para os Saints!!!

Pouco tempo depois comprei o Madden 11 e por ter assistido alguns jogos dos Colts, pesquisado algumas coisas e ouvir todos os elogios rasgados que todos que conheciam o esporte faziam ao quarterback de Indianapolis, me decidi e escolhi o Indianapolis Colts de Peyton Manning para jogar e torcer. Confesso que o fato de que o time tinha um rating quase perfeito no jogo ajudou um pouco! Também o fato de que jogando com o Manning você não precisa jogar contra ele, e isso é chato, ô bicho que faz audible.

Vi então a temporada de 2010, a eliminação para o New York Jets (por isso meu ódio contido ao Jim Caldwell), e “nas noites escuras de frio chorei” quando em 2011 as 4 cirurgias tiraram o #18 da temporada e tive que ver Curtis Painter e companhia defender os Colts!!!

Veio 2012 e com ele a transferência de Manning para os Broncos, naquele momento percebi algo que me incomodou no começo, mas vi que é bastante natural, principalmente entre os torcedores americanos: na verdade não torcia para um time, mas sim pelo seu quarterback e com sua mudança para Denver a minha mudança de foco foi natural. Naquele mesmo ano já estava planejando uma viagem para os Estados Unidos com minha (agora) esposa, em que o Futebol Americano não era o objetivo, mas vocês sabem como é, dei um jeitinho e estiquei de um lado, puxei do outro e comprei ingressos para assistir Denver Broncos x Carolina Panthers. Aluguei um carro e “percorri milhas e milhas” de Orlando até Charlotte, 16 horas entre ida e volta e diferente da música dei sim minhas cochiladinhas!!! Não só vi uma vitória dos Broncos com uma atuação de gala de Manning, mas vi como os americanos tratam o esporte, uma rivalidade sadia, foi de chorar, ainda mais porque sei que minha geração não verá algo assim no Brasil.

Em meio as frustrações de 2012 (como não lembrar do arranha-céu narrado pelo Rômulo Mendonça?!) e da derrota no Super Bowl de 2013, quando vi o auge de um ataque e de um jogador sucumbir a uma defesa monstruosa. Foi nesse momento que com mais dois amigos decidimos criar o Entre Jardas! Depois desses quase 2 anos de muuuuuita dedicação, e agora com a contribuição dos nossos colaboradores, é bem bacana ver os resultados desse projeto, que a cada dia nos traz mais alegrias.

A temporada regular de 2014 e o desempenho já diferente de outros tempos nada contribuíram para mudar minha idéia de assistir ainda que pela última vez o #18 jogar! E decidi que seria em grande estilo, e assim foi. Comprei no começo do ano ingressos para o jogo de hoje contra os Patriots. As atuações apagadas de Manning e do ataque me fizeram ver que algo acontecia (além da idade que já pesa) e quis o destino que hoje eu não assistisse um Manning x Brady, mas sim um Brock x Brady, confesso a vocês que foi meio frustrante no início, mas com o tempo consegui me consolar e ao chegar na cidade e ver como eles respiram os Broncos, não há como não se animar e não ficar ansioso (além do fato de poder ver outro mito da minha geração – depois de ver Brady, ainda quero ver Rodgers, Brees e Big Ben)!!

Passa das 8 da manhã em Denver (1 da tarde aí no Brasil). Estou teminando de escrever, vou tomar um café, e enfim partir para o Mile High. Meu caminho até lá?! “Meu caminho só meu pai pode mudar“!!

Continua….

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Rafael Silva

Cofundador do Entre Jardas. Meio aviador, meio baixista e meio administrador (embora isso não dê 100%). A procura de um tratamento de alongamento da espinha dorsal para jogar pelo menos um snap como quarterback

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Entre Jardas | Futebol Americano BR - 2014