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O verdadeiro motivo do fim da Legion of Boom

O verdadeiro motivo do fim da Legion of Boom

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Muitos irão falar que os atletas ficaram velhos, que a defesa não era mais tão efetiva e que o Seattle Seahawks precisava de uma renovação, mas um artigo publicado na Sports Illustrated contou exatamente o contrário na tarde de ontem (07).

Nós já chegamos a comentar aqui no ano passado que alguns atletas da defesa do Seahawks se sentiam incomodados com o tratamento especial que o quarterback Russell Wilson recebia de Pete Carroll, mas o que a reportagem da SI afirmou através de relatos de ex-atletas da equipe é que foi este racha no vestiário que fez a equipe optar por dispensar e/ou negociar alguns atletas de elite.

Tudo começou coma chegada de Wilson a equipe, a defesa então estava sendo montada e o Seahawks ainda não estava no patamar de favorito. Wilson deu mais mobilidade a equipe, mas o que começava a surgir era uma defesa com diversos nomes “desconhecidos” que decidiram formar uma família competitiva e aberta as cobranças. Michael Bennett relata que os atletas se cobravam de uma maneira muito dura após cada treino.

“Nós eramos uma família, nos cobrávamos para que todos evoluíssem”, contou Bennett. “Era louco, cara. Mas sabíamos que as pessoas tinham problemas em casa e sempre queríamos ajudar. Nós fazíamos tudo pelo esquadrão.”

Em uma partida em 2016, Richard Sherman e Bennett quase chegaram às vias de fato após uma discussão exatamente sobre isso. Russsell Wilson havia jogado cinco interceptações contra a a segunda pior defesa da NFL em jardas aéreas, a do Green Bay Packers. Sherman queria confrontar Wilson sobre a péssima partida, mas Bennett não deixou, afinal, sabia que Carroll defenderia o quarterback.

Para se ter uma ideia, um ano antes em um treino, Richard Sherman interceptou Wilson duas vezes seguidas, na segunda entregando a bola ao atleta e proferindo um trash talk. Aquilo foi o motivo para que Carroll fizesse uma reunião com os principais líderes da defesa e do ataque, exatamente para pedir que os atletas protegessem Wilson, tratassem-o com mais gentileza do que os outros companheiros. Isso revoltou ainda mais a Legion of Boom. Carroll deixava claro que Wilson era diferente dos demais.

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Os membros da defesa tinham um ritual próprio. Para chegar a um nível que “destruiu” Peyton Manning em um Super Bowl eles tiveram um processo longo. A filosofia de Pete Carroll era “treine duro o tempo todo para ser o melhor no dia do jogo”, mas os atletas que acreditavam nisso estavam começando a desistir do “mantra” do treinador.

Na reunião citada acima os defensores deixaram claro que as cobranças a Wilson era “parte do processo” para torná-lo um deles, mas Carroll não pensava assim. Julgando Wilson frágil emocionalmente ele não fazia críticas públicas dentro do vestiário ao quarterback, o que irritava muitos jogadores. Uma vez, em uma partida em que Wilson jogou três interceptações e não atingiu nem 150 jardas, o treinador parabenizou o quarterback por sua resiliência, o que revoltou os atletas.

Ali o vestiário começava  a rachar de vez. No casamento de Richard Sherman, em abril deste ano os atletas da defesa estavam todos reunidos, seis deles fora da franquia. Lá eles chamavam o Seahawks de Titanic, uma vez que na última temporada este era o apelido da equipe dentro da Legion of Boom. Eles sabiam que o “navio” estava afundando.

Tony McDaniel relembra que quando chegou na equipe perguntou aos veteranos como era a relação entre a defesa e o ataque. Os atletas lhe advertiram para ter muito cuidado com o que falaria perto de Wilson, pois segundo eles tudo o que era conversado chegava aos ouvidos do treinador. Não era uma suspeita, já havia acontecido.

“Quando os caras conversavam francamente na frente de Russell, de alguma forma todas essas coisas chegavam rapidamente até Pete.”

Cliff Avril conta que o processo que levou o Seahawks a esta situação começou quando eles deixaram de acreditar em Pete Carroll. Segundo os atletas, a filosofia de Carroll não era mais a mesma, principalmente para novos atletas. O Seahawks de 2014 ficou marcado pela competição. Não existia privilégios ou posição garantida para ninguém, não importa se era uma contratação cara da agência livre ou se era uma escolha de primeira rodada do do Draft, ninguém tinha lugar garantido no time.

Mas as coisas mudaram e os jogadores da defesa começaram a reclamar. Os atletas relataram a Sports Ilustrated que a preferência por jogadores mais novos com desempenho inferior era gritante. Citando Germain Ifedi e Tanner McEvoy, os atletas relatam que chegaram a reclamar com o front office da equipe, querendo saber o porquê da “equipe não estar colocando os melhores jogadores em campo”.

E duas das principais razões para que a defesa deixasse de acreditar em Carroll aconteceram dentro de campo. A primeira no NFC Championship Game de 2014, quando a equipe venceu o Green Bay Packers. A defesa limitou Aaron Rodgers a penas 184 jardas passadas e Russell Wilson jogou quatro interceptações na partida, mesmo assim ao fim do jogo a franquia chamou apenas Russell Wilson para subir em um pódio instalado no meio do campo.

Durante a semana, Carroll não cansava de repetir no vestiário que Wilson havia salvo a temporada da equipe e os jogadores da defesa falavam: “Será que ele viu outro jogo? Nós não fizemos nada?”. Talvez não fosse fácil e até inédito para Carroll ter que lidar com uma defesa com tantos Pro Bowl players e ainda tentar defender Wilson, porém aquilo foi o que dividiu o vestiário.

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Avril também cita o dia em que a equipe perdeu para o New England Patriots o Super Bowl, após serem interceptados na linha de 1 jarda. Como a relação com Carroll estava desgastada e o jeito que o treinador protegia Wilson os incomodava, começou a surgir a teoria de que a chamada para passe em uma segunda descida não tivesse vindo do coordenador ofensivo Darrell Bevell, mas do próprio Carroll.

O treinador sempre deixou claro que a chamada não foi dele, mas que respeitava o que Bevell havia feito. A “teoria da conspiração” que vagava na defesa do Seahawks era que para dar mais chances a Wilson vencer como MVP da partida, Carroll ignorou Bevell e deu a ordem da jogada, deixando de lado sua melhor arma, Marshawn Lynch.

“Foi quando alguns caras começaram a questionar se Carroll acreditava em sua filosofia”, disse Avril,. “Os caras começaram a falar, ‘Você acredita no que ele está dizendo’?”

A confiança havia se quebrado. No vestiário daquele dia Lynch – ainda de uniforme – tomava conhaque direto da garrafa e repetia a frase: “Por que estes filhos da p*** me tomaram isso”. Sherman era o mais exaltado, não acreditando na chamada que custou o segundo Super Bowl da equipe e uma hegemonia que os consagraria para sempre.

Se é verdade estas teorias apenas o tempo dirá, mas fica claro que o Seahawks preferiu construir uma nova equipe em torno de Russell Wilson que manter os jogadores que fizeram da equipe a mais forte dos últimos anos, principalmente na defesa. De terceira melhor da liga em 2016, sem algumas das peças ela se torou a 13° no ano passado.

Agora, estreando contra o Denver Broncos, apenas dois defensores daquela conquista contra o time de Peyton Manning estarão em campo, Bobby WagnerKJ Wright (lesionado, não deve jogar). Se somarmos as aposentadorias e dispensas, podemos decretar o fim da Legion of Boom. E a culpa pelo fim – segundo os atletas – é de Pete Carroll e seu jeito “protetor com Russell Wilson.

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Brock oficial

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