Tudo que você precisa saber sobre a renovação de Russell Wilson

Depois da declaração de Russell Wilson na terça-feira a noite, de que ele aguarda a proposta de renovação de contrato do Seattle Seahawks até 15 de abril, todos os olhos da NFL estão sobre ele.

E não é por acaso, tanto o mercado quanto a qualidade dele em seus sete anos com a equipe fazem dele um possível “melhor agente livre da década” após Peyton Manning. Com um detalhe, ao contrário do ex-quarterback de Indianapolis Colts e Denver Broncos, Wilson não está lesionado. Muito pelo contrário, nunca perdeu uma partida sequer pelo time de Seattle.

Então vamos analisar todas as nuances desta situação para que os leitores fiquem cientes do que pode-se esperar desta renovação – ou não. Vamos lá:

Atual contrato:

Wilson entra no seu último ano de contrato, após a sua primeira renovação, que aconteceu às vésperas do início de training camp de 2015. Na época ele se tornou o segundo maior contrato da história da NFL, com U$ 22 milhões por ano de média.

Neste contrato ele só recebeu garantia no primeiro ano, uma vez que o Seahawks trabalha com um estilo muito peculiar de renovação (citaremos mais abaixo). Então ele tem para esta temporada um salário base de pouco mais de U$ 17 milhões, com possibilidade de chegar aos U$ 23 milhões com os bônus.

No entanto, sem um novo contrato, Wilson se torna um agente livre no primeiro dia da temporada 2020. Assim, para mantê-lo na equipe o Seahawks precisaria usar a franchise tag, que no ano que vem valeria U$ 30,7 milhões. Caso repetisse o movimento em 2021, o valor sobe para U$ 36,9 milhões.

Qual deve ser o valor do novo contrato?

Quando Wilson assinou contrato com o Seahawks em 2015, ele só recebia menos que Aaron Rodgers, quarterback do Green Bay Packers. A diferença era de cerca de U$ 1,3 milhões de um salário para outro. No ano passado Rodgers renegociou seu contrato, chegando ao valor médio anual de U$ 33,5 milhões. No entanto, o valor de Wilson deve ser maior, já que é cinco anos mais novo e muito vencedor em sete anos de liga.

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Outro ponto importante são as garantias. Matt Ryan conseguiu U$ 94,5 milhões do Atlanta Falcons em 2017, já Kirk Cousins assinou um contrato menor e recebeu U$ 85 milhões garantidos. Somando os valores de Rodgers, Ryan e Cousins, conseguimos chegar a uma valor que deve ser de U$ 180 milhões por cinco anos, com U$ 101 milhões garantidos.

Wilson merece este dinheiro?

O primeiro ponto a se falar é a respeito da idade. Aos 30 anos, sendo 7 deles na NFL, lhe dão um misto de experiência e longevidade. Dos quatro quarterbacks que chegaram às finais de conferência ano passado, um tinha 41 anos e o outro 38. E mesmo com a idade avançada continuam sendo as grandes estrelas de seus times.

Paralelo a isso, Wilson jogou todas as partidas desde que chegou à NFL em 2012. São 112 jogos consecutivos, a quarta maior marca entre os quarterbacks em atividade (só perde para Matthew Stafford (128 jogos), Matt Ryan (147 jogos) e Philip Rivers (208 jogos). Isso mostra que ele é extremamente são, mesmo jogando como uma ameaça dupla.

Outro dado importante – até  porque citamos “ameaça dupla” – é que em 2017 ele correu mais que qualquer running back que atuou na equipe, mostrando ser polivalente. Nestas sete temporadas só ficou fora dos playoffs em uma delas e venceu 8 das 13 partidas de pós-temporada.

Liderando o Seahawks ele tem uma média de 10,7 vitórias por temporada, número extremamente bom por se tratar de uma equipe que algumas vezes lhe deixou sem opções no ataque. Desde que o Saehawks promoveram Wilson a titular, em nenhuma temporada a equipe terminou com números negativos.

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Neste tempo foram 25.624 jardas em passes na temporada regular, com índice de 64,2% de aproveitamento, 196 passes para touchdown e 63 interceptações. Seu jogo terrestre proporcionou 3.651jardas, com média de 5,7 jardas por corrida. Marcou 16 touchdowns terrestres, o mais longo de 56 jardas.

Ainda falando de seus números na carreira, temos na pós-temporada 3.010 jardas e 62% de aproveitamento, com 21 touchdowns e 11 interceptações. Correndo completou mais 368 jardas, com uma média de 5,8 jardas por tentativa e 3 touchdowns.

O Seahawks está disposto a pagar?

Este é o grande ponto. Não há dúvidas que a equipe quer mantê-lo, uma vez que após sua chegada houve uma transformação na franquia. O próprio treinador, Pete Carroll, deu declaração de que a equipe está trabalhando para reestruturar o contrato dele. O grande problema passa pela filosofia do time.

O Seahawks trabalha com um esquema chamado “garantias contínuas” Ele funciona assim: a equipe não assina com veteranos acordos antecipando valores, como é feito em outras equipes. No entanto, se após o início dos treinos – abril – o jogador estiver na lista, garante seu salário integral daquele ano, mesmo sofrendo algum contratempo e perdendo a temporada.

Por exemplo, se um jogador entrar este ano – com contrato que possua esta cláusula – e for cortado (por algum motivo que não anule o contrato, como uma suspensão, por exemplo), ele irá receber o montante total desta temporada. Os contratos de Duane Brown e Tyler Lockett foram feitos assim no ano passado, sem que eles recebessem nenhuma garantia para este ano. O de Wilson também foi feito assim em 2015. Só receberam a garantia do primeiro ano.

Outra maneira que o Seahawks trabalham e se opõe ao que Wilson deva buscar é esta reestruturação com contrato em andamento. Vocês lembram da “novela” que foi a renovação de Earl Thomas, que acabou não acontecendo. Para o time de Seattle, abrir exceção para um jogador daria margens para que todos os atletas tentassem o mesmo.

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Então a alternativa aqui é o Seahawks mudar o jeito de pagar Wilson, para que ele continue na equipe recebendo o que quer e ainda não comprometendo o salary cap do time. Uma maneira de fazer isso é dar-lhe os U$ 180 milhões por oito anos, garantindo o pagamento quase que completo nos primeiros cinco anos através de bônus de assinatura.

Neste modelo o Seahawks consegue “parcelar” os valores pelos oito anos, contando com o atleta por apenas cinco. Para isso, se usa o mesmo artifício que o Saints utiliza com Drew Brees, colocando anos “fictícios” em seu contrato. Assinaria por oito anos, mas com uma cláusula de cancelamento automático dos últimos três se alguma das partes assim decidir.

Existem chances dele deixar o Seahawks:

Estamos em uma liga que Le’Veon Bell é do New York Jets, Antonio Brown é do Oakland Raiders e Odell Beckham Jr é do Cleveland Browns. Tudo está se tornando possível. Os atletas perceberam que tem grande poder nas mãos e começaram a trabalhar suas garantias sem tem que depender do acordo coletivo, simplesmente se negando a jogar por menos que acham que valem.

Foi assim com Bell, com Brown, com Khalil Mack e Aaron Donald. Todos conseguiram o que queriam. O único que “bateu o pé” e não obteve sucesso foi – coincidentemente – Earl Thomas. Então não há dúvidas que se Wilson não receber um contrato de U$ 100 milhões garantidos, ele não estará no Seahawks em 2022. Em 2021 custará U$ 36,9 milhões se receber a segunda franchise tag e ano que vem joga por U$ 30,6 milhões.

Podem acreditar, se não houver uma renovação este ano, na próxima temporada irão “chover” propostas para o Seahawks por Wilson. Fora as especulações, que deverão minar o vestiário da equipe em 2019.

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