Boicote da NFL não consegue cancelar workout de Kaepernick

Um sábado que tinha tudo para ser uma aproximação de Colin Kaepernick com a NFL não deu certo.

O quarterback fez seu treino, errou apenas 7 dos 60 passes tentados, acertou bolas muito longas, se apresentou com físico muito melhor que nas últimas temporadas com o 49ers e ainda pediu para que a liga “não fuja dele”. E a declaração tem explicação.

De todas as formas o staff do quarterback tentou tornar o workout legitimo. Desde a alteração de datas, listagem dos convidados, abertura para a mídia, filmagem do treino e maior clareza no processo. Tudo foi negado pela NFL.

O grande motivo é que a NFL fez este treino para provar que não está boicotando o atleta, porém o “tiro saiu pela culatra”. O que foi visto no sábado foi a má vontade da liga em reaproximar Kaepernick do jogo. E ela colocou diversos entraves para que este workout não fosse legitimo.

O primeiro ponto foi a data. A NFL anunciou na segunda-feira que o treino seria no sábado, véspera de rodada de domingo. Claro que nenhum tomador de decisão de alguma franquia foi no sábado, pois os treinadores e gerentes gerais viajam nesta data para os jogos de domingo.

Mesmo assim 23 representantes de equipes estavam programados para assistirem o treino no centro de treinamento do Atlanta Falcons. O agente de Kaepernick, Jeff Nalley, pediu a lista dos participantes na terça-feira para a liga, que disse que iria enviar. Na quinta-feira veio a negação do pedido, além de um comunicado dizendo que “nunca havia se comprometido a dar esta lista”.

E este não foi o único problema com a liga. Nas instalações do Falcons, a NFL negou o pedido de credenciamento da mídia, dizendo que seria um evento fechado. Também proibiu que Kaepernick levasse uma equipe para filmar e fazer fotos do evento. Isso soou como algo “estranho”. Este pelo menos foi o entendimento de Jeff Nalley.

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A NFL teve a chance de tê-lo nas instalações dos Falcons, se eles permitissem assistir ao processo, filmar e ter uma equipe de câmeras independente, e eles disseram ‘não'”, disse Nalley. “Para mim, deve ser um processo aberto. O que é secreto sobre isso? Eu acho que todos vocês tiveram perguntas a semana toda. Algo não cheirava bem. Roger Goodell disse que a liga não se envolve nos treinos dos jogadores, nas decisões das equipes. Então, por que eles fizeram isso? Eu acho que desde o começo parecia estranho. E é por isso que tivemos que protegê-lo (Kaepernick) em todo esse processo.”

Sem poder levar sua equipe para filmar, Kaepernick e seu staff decidiram transferir o workout para Riverdale, cerca de 100 quilômetros de Atlanta. Dos 23 agentes, apenas oito puderam ir após a mudança. Antes da confirmação da transferência, mais um problema culminou na decisão da troca de local.

A NFL informou na sexta-feira que o termo preenchido por Kaepernick para isentar a liga de qualquer responsabilidade em caso de lesão estava – segundo a NFL – incompleta, não podendo ser aceita para que ele fosse treinar em uma instalação de franquia da NFL. Segundo o advogado do atleta, Ben Meiselas, os termos estavam corretos e a liga “inventou” mais esta desculpa para prejudicar seu cliente. A NFL queria cancelar o treino, mesmo com 23 representantes de franquias tendo confirmado presença.

Depois de toda esta “Guerra Fria”, oito representantes estavam lá. O mais importante era o vice-presidente de operações de futebol do Philadelphia Eagles, Andrew Berry. Além dele, representantes do Kansas City Chiefs, New York Jets, Washington Redskins, San Francisco 49ers, Detroit Lions e Tennessee Titans se fizeram presentes após a mudança de local.

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Mesmo depois de ter sido negado pela NFL o pedido de alteração de data para um dia de semana, a lista dos convidados, a abertura para a mídia, a possibilidade de filmagem do treino e a incapacidade de seu termo de responsabilidade, Kaepernick entrou em campo. Saudou os cerca de 250 fãs que foram assisti-lo, conversou com todos os representantes e provou que está apto para jogar na NFL.

Na sua declaração após o fim de treino, uma mensagem clara para a liga e seus 32 proprietários:

“Estou pronto há três anos”, disse Kaepernick. “Fui negado por três anos. Todos sabemos porque vim aqui. Eu mostrei hoje na frente de todo mundo. Nós não temos nada a esconder. Então, estamos esperando os 32 proprietários, 32 equipes, Roger Goodell, todos eles pararem de correr. Pararem de fugir da verdade. Pararem de fugir das pessoas. Estamos aqui. Estamos prontos para jogar. Estamos prontos para ir a qualquer lugar. Meu agente, Jeff Nalley, está pronto para conversar com qualquer equipe. Conversarei com qualquer equipe a qualquer momento. Eu estive e estou pronto.”

A declaração de Kaepernick diz muito sobre o processo que ganhou da NFL na Suprema Corte Americana. Realmente ele sofreu conluio por parte da NFL e suas 32 equipes. Agora, é esperado que para a próxima temporada alguém mude de ideia e entre em contato com ele. Porém não será fácil, uma vez que este treino foi organizado pela NFL única e exclusivamente para “limpar” seu nome em relação ao escândalo de conluio. Fato que não foi alcançado, dizendo muito sobre a real intenção da liga a respeito de Kaepernick.

“Espero que sim (sobre a volta de Kaepernick à NFL), mas não sei”, disse Nalley. “Serei honesto, sou um pouco pessimista porque conversei com todas as 32 equipes. Entrei em contato com eles recentemente e nenhum deles teve interesse. Vou lhe dizer: Nenhuma equipe pediu esse treino. O escritório da liga pediu esse treino. E eu tenho que lhe dizer uma coisa, tenho que entregá-lo a Colin. Ele se adiantou, mostrou que está em forma. Conversei com o pessoal da NFL aqui hoje. Eles disseram que o talento de seu braço é de elite, isso é o mesmo de quando ele saiu da faculdade. Eu até perguntei a eles: ‘Se você quer colocá-lo em uma balança, veja o que ele pesa’. Eles disseram: ‘Nós não precisamos. Ele parece rasgado. Ele parece em ótima forma’.”

Enfim, uma grande pergunta fica: é justo um atleta ser “banido” de um esporte por expressar opiniões políticas. Seria justo, por exemplo, Sócrates, jogador que marcou época no Corinthians ser “eliminado” do futebol por ser a favor da democracia em uma época de ditadura? Por todos os fatos que acompanhamos desde 2016, é isso que a NFL fez e está fazendo com um atleta que “apenas” queria igualdade de condições para os afro-americanos. E o pior, está conseguindo.

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